Não é novidade para ninguém que os tempos atuais exigem atenção e austeridade das empresas. Nos últimos anos temos enfrentando crises políticas, econômicas e até de saúde e todos os setores sentem os seus efeitos. Com as importações não têm sido diferente: o aumento do dólar e o alto custo Brasil tem diminuído o lucro das empresas. Assim, diminuir despesas e enxugar a operação são imprescindíveis para manter a competitividade. E é para te ajudar a não perder território que agora vamos falar sobre redução de custos na importação.

Em momentos de crises, os bens financeiros se tornam mais escassos ainda e os tomadores de decisão precisam ter a informação clara de quais pontos em um processo de importação podem ser melhorados em termos de custo.

Comprando melhor, as empresas passam a ter a possibilidade de vender mais e melhor, fazendo frente à concorrência.

Mas como obter a redução de custos na importação?

São várias as iniciativas que você pode adotar hoje mesmo. Vejamos algumas delas:

 

Melhor negociação do valor FOB (mercadorias)

Desenvolver parcerias com fornecedores e trabalhar com o poder de barganha da empresa na busca de melhores negociações.

Como sabemos, o valor FOB, ou de mercadorias em sua grande maioria é o componente que representa a maior parte dos custos de uma importação. Além disso, ele também serve de base para pagamento de impostos aqui no Brasil.

Dito isso, quanto melhor for a negociação do valor das mercadorias junto ao fornecedor internacional, menor será o custo final de importação. Isso se deve não somente pelo motivo de pagar menos por unidade ao fornecedor, mas também, por consequência, pagar menos impostos por unidade aqui na entrada no Brasil.

Tenha como exemplo um produto que valha US$ 10,00 lá na China e supondo que em uma negociação há a redução de 10%, ou seja, o produto passa a custar US$ 9,00 na origem. Adicionalmente, vamos imaginar que o percentual de custo de impostos incidentes no FOB é de 85%. Nesse caso teremos a seguinte economia por produto importado.

 

Desconto por unidade no valor FOB: US$ 1,00

Impostos que deixaram de ser pagos: US$ 0,85

Total: US$ 1,85

 

O poder de barganha também é outra ferramenta que deve ser bem explorada pela empresa importadora. Para isso, ela deverá ter bastante ciência do porte do fornecedor com o qual está negociando, no sentido de saber se sua demanda é representativa dentro da produção do fornecedor.

Em alguns casos, como commodities, uma demanda que pode ser expressiva aqui no Brasil, não fará pouca diferença lá fora, pois grande parte dos fornecedores são empresas médias e grandes. Entretanto, o contrário também pode acontecer. Uma demanda média e até mesmo pequena aqui no Brasil pode ser apreciada lá fora, fazendo diferença na hora da negociação.

 

 Consolidação de carga na origem

Embarque de mercadorias de dois ou mais fornecedores em uma única importação, diluindo custos fixos.

 

Uma ferramenta logística ainda pouco explorada por importadores brasileiros devido a alguns fatores como o não interesse da venda desse serviço por agentes logísticos (pois diminuem os seus ganhos) e desconhecimento da operação por parte de despachantes e agentes de carga.

Todos estamos familiarizados com o famoso custo Brasil. Na importação ele aparece ainda mais destacado, quando falamos de custos logísticos ( e não estamos falando de custos com impostos).

Levando em consideração os custos na origem para carregamento, liberação de carga, emissão de documentos e embarque e os custos no destino como descarregamento, liberação da carga e documentos, temos que chamar atenção especial dos importadores para a quantidade de mercadorias trazidas em cada importação versus o impacto desses custos no valor unitário de cada produto.

Cada embarque cobrará custos mínimos e fixos, o que significa que pequenos embarques de valores FOB, normalmente abaixo de US$ 10 mil, sofrerão diretamente o impacto desses custos logísticos.

A consolidação de carga permite que o importador una a carga de dois ou mais fornecedores permitindo o pagamento de custos relativos a apenas uma importação.

Logicamente que na análise de viabilidade dessa operação logística, há que se considerar os custos de transporte interno de um fornecedor até o outro ou de movimentação para um aero(porto) diferente. De qualquer forma, é uma grande ferramenta logística que torna viável a importação de pequenas importações.

 

Frete internacional

Busca de opções de fretes internacionais mais competitivos, tendo como resultado também a redução de impostos já que o frete internacional faz parte da base de pagamento de impostos no Brasil.

 

Diferente de outros países que tem como base de pagamento de impostos na importação, a saber, o valor FOB (mercadorias), no Brasil pagamos impostos sobre o CIF, sendo mercadoria, frete e seguro internacional. Nesse sentido, tanto o valor do frete quanto do seguro terão impactos diretos no custo final da importação.

A maior mudança em uma importação no que diz respeito ao frete internacional está no diferente modal utilizado, principalmente quando há uma troca do marítimo pelo aéreo. Para  fins de comparação, enquanto podemos chegar a pagar US$1,00 por tonelada ou metro cúbico no modal marítimo fracionado (carga compartilhada comm outros importadores), no aéreo pagamos de US$ 6,00 por quilo a US$ 8,00. Isso tem um impacto gigante no custo final de importação. Veja exemplo abaixo.

 

Configuração de carga: 1 ton e 0,5 m3

Marítimo LCL

Frete marítimo total: US$ 1,00 (US$ 1,00 x 1 tons)

Impostos sobre o frete internacional (média de 60%): US$ 0,60

Aéreo

Frete aéreo total: US$ 6.000,00 (US$ 6,00 x 1.000 kilos)

Impostos sobre o frete internacional (média de 60%): US$ 3.600,00

 

Além disso, o importador deve aproveitar melhor as condições negociais que muitas vezes se apresentam. Caso tenha um volume razoável de movimentação de carga, deve usar esse poder de barganha para conseguir melhores negociações de fretes que trarão impacto posivito e direto nos custos de importação.

Não incentivamos a simples mudança de prestador de serviço logístico, pois há outros fatores envolvidos como qualidade do serviço, tempo de resposta e entrosamento das equipes (do importador e do prestador de serviço), mas também pode ser uma opção a ser avaliada, pois cada prestador de serviço logístico se mostra mais competitivo em determinadas origens e rotas.

 

Desembaraço aduaneiro em Zona Secundária

Redução de custos com armazenagem em portos e aeroportos e melhor administração do fluxo de caixa, já que há a possibilidade de retirada parcial de mercadorias.

 

Zona Secundária ou Porto Seco, são armazéns que estão longe dos portos, aeroportos e pontos de fronteira que desempenham as mesma função desses com o controle de entrada e saída de mercadorias importadas e exportadas. Contam com a estrutura da Receita Federal e em muitas vezes de órgãos como Ministério da Agricultura e Anvisa.

Foram criados para agilizar e facilitar a liberação de mercadorias importadas e exportadas, porém o seu conceito é pouco disseminado entre as empresas operantes no comércio internacional. Isso de seve a vários motivos, mas o principal dele é o não interesse dos prestadores de serviço em levar as cargas de seus clientes até esses locais. Com isso o importador e exportados perdem, pois para muitas operações há vantagens visíveis como redução de custo a diminuição do tempo de desembaraço.

Outro grande atrativo desses locais é a possibilidade de retirada parcial de mercadorias. Isso significa que um importador pode trazer um contêiner e liberar apenas uma parte das mercadorias, pagando proporcionalmente os impostos. Com isso, o importador pode fazer uma gestão melhor do fluxo financeiro da importação, deixando armazenado no Porto Seco a mercadoria que não precisará para os próximos dias ou semanas.

Nas Zonas Secundárias também há muita liberação de máquinas e equipamentos, principalmente pelo fato de ser um processo mais controlável e com maior transparência, possibilitando ganhos de custos e tempo na liberação.

Quando bem utilizada, é uma ferramenta logística bem importante que permite que o Porto Seco seja visualizado como extensão da empresa, pois serve para armazenagem e guarda das mercadorias com cobertura de seguro. Pode servir até mesmo como centro de distribuição, pois depois das mercadorias liberadas (desembaraçadas), cada lote poderá seguir com sua nota de venda ao seu cliente.

 

Planejamento logístico

Definição dos parceiros logísticos e desenho do fluxo de informações e mercadorias para se evitar custos extras.

 

Uma importação é feita de várias fases e vários elos logísticos (prestadores de serviço) que tornam possível que uma carga saia do local do exportador e seja entregue no local do importador.

Para que a cadeia logística internacional funcione muito bem, cumprindo requisitos mínimos de tempo, custo e qualidade de serviço, é preciso que todos os elos estejam bem alinhados. Como já dizia algum sábio, a cadeia logística será tão forte quanto o seu elo mais fraco.

A escolha dos parceiros logísticos, como agente de carga, transportadora nacional, armazém entre outros é um ponto essencial no sucesso de uma importação. Ao contratar qualquer prestador de serviço leve em consideração a estrutura, referências comerciais, o nível de serviço, os canais de comunicação do operacional e ao portfólio de soluções ofertadas.

 

Lote econômico

Diminuição de custos com estudo do lote econômico de embarque, ou seja, da quantidade que traz o melhor custo e benefício para o embarque.

 

Muitos pensam que importar é colocar mercadorias dentro de um navio ou avião e trazer para o Brasil. Se fosse apenas isso, seria fácil demais. O difícil é planejar o embarque, equilibrando quantidade embarcada e o investimento necessário.

Um estudo que se faz necessário antes de qualquer colocação de pedido de importação é o de lote econômico. Chamamos de lote econômico a quantidade que permite que o importador obtenha o melhor custo e benefício entre valor unitário final e investimento total na importação.

Como exemplo podemos citar um embarque padrão de 10 mil unidades com o investimento total de US$ 100.000,00 que traz o custo unitário de US$ 10,00. Esse mesmo embarque se for dividido em dois de US$ 50.000,00 trará um custo unitário em torno de US$ 10,15. Note que se considerarmos um custo de capital do período que envolve a produção, embarque e liberação da mercadoria no Brasil, os US$ 10,00 da primeira situação pode dar um resultado maior que os US$ 10,15 da segunda.

O equilíbrio entre investimento e custo final total é uma das chaves de sucesso de uma importação.

 

Taxa do frete internacional

Fixação de um percentual de variação para a taxa de faturamento de despesas do frete internacional.

 

Em uma negociação de frete internacional, os importadores acabam sofrendo uma cegueira que faz com que enxerguem apenas parte do custo envolvido. Negociam o valor do frete e das despesas atreladas a ele e se esquecem de verificar um ponto muito importante que é a taxa de conversão dos valores em moedas estrangeiras para reais, ou seja, a taxa de faturamento do frete e despesas.

Normalmente a cotação de um frete internacional vem da seguinte maneira:

  • Frete internacional: US$ ou outra moeda estrangeira
  • Adicional ao frete: US$ ou outra moeda estrangeira
  • Capatazias: R$
  • Despesas do frete na origem: US$ ou outra moeda estrangeira
  • Despesas do frete no Brasil: R$

 

Note que das cinco frentes de custos, 3 estão em moeda estrangeira e precisam ser convertidas em reais, pois serão pagas aqui no Brasil. Em alguns casos, as despesas na origem são pagas na origem, mas vai depender muito da negociação.

Há casos em que já vimos a variação de taxa do frete internacional em mais de R$ 0,50 para cada dólar. Sendo assim, o resultado adicional para um frete internacional abaixo, seria o seguinte:

  • Frete internacional: US$ 3.000,00
  • Adicional ao frete: US$ 500,00
  • Despesas do frete na origem: US$ 1.000,00

Total: US$ 4.500,00 x R$ 0,50 = R$ 2.250,00

 

Estamos falando de apenas um embarque. Projete isso para um ano, 3 anos, 5 anos. Quantas despesas fixas de sua empresa poderia pagar com esse valor economizado?

 

Frete rodoviário

Busca de opções de fretes rodoviários competitivos, frete retorno ou consolidação de carga com outros importadores.

 

Um dos maiores custos logísticos incidentes em um processo de importação é o frete rodoviário de entrega aqui no Brasil (do porto ou aeroporto até o local do importador). Em algumas situações, esse custo é muito maior que o frete internacional. Podemos chegar a pagar alguns dólares para a mercadoria sair da China e chegar ao Brasil, percorrendo milhares de quilômetros e pagarmos milhares de reais aqui no Brasil referente a um frete interno que percorrre poucas centenas de quilômetro.

Depois da mercadoria desembaraçada, o importador tem algumas opções como usar um trasporte próprio, contratar um frete retorno ou até mesmo utilizar transportadoras de linha que eventualmente pode ter tabela negociada.

Nesse momento o importador tem que pesar o custo do transporte versus o prazo de entrega e muitas vezes o custo de ficar sem a mercadoria.

Estar atento a esse custo é um dos pontos essenciais para que o custo final unitário fique dentro do planejado.

Câmbio

Melhor negociação com o banco, utilização de gerenciador financeiro ou casa de câmbio para os envios de pagamento ao exterior.

Toda importação é negociada em moeda estrangeira, sendo dólar, euro, libra ou outra moeda conversível. Nesse sentido, é natural imaginar que deverá haver uma taxa de conversão para o real.

Em uma importação há no mínimo 3 momentos de conversão de taxa de moeda, sendo eles:

  • Pagamento ao fornecedor estrangeiro – por meio de contrato de câmbio (contratação da moeda junto ao banco ou casa de câmbio);
  • Pagamento de impostos – mesmo que pago em reais se utilizada uma taxa de conversão da moeda;
  • Pagamento do frete internacional e frete – conforme já discutido em tópico acima.

O importador tem a liberdade de escolher o banco que quer utilizar para pagamento de fornecedores, ficando uma possibilidade de negociação de taxa de contratação da moeda estrangeira e também da taxa de emissão do contrato de câmbio. O importador pode usar a demanda de outros serviços financeiros que pode utilizar no mercado interno para poder aumentar sua barganha na negociação.

Quanto ao pagamento dos impostos na Declaração de Importação (DI), será sempre utilizada a taxa oficial do governo de fechamento do dia anterior. Ela não é negociável, mas o importador poderá escolher o dia para pagamento dos impostos, já que no dia anterior já terá acesso à taxa de fechamento.

Quanto ao pagamento do frete e taxas, cabe a negociação com o agente de cargas.

O custo final em reais dependerá diretamente da melhor negociação das taxas de moedas nos diferentes momentos ao longo do processo de importação.

 

Conclusão

As formas de reduzir custos na importação citadas acima, servem tanto para aqueles que estão iniciando no comércio internacional quanto para aqueles que já importam. Nesse caso, muitas vezes os atuais importadores, desconhecem algumas das saídas citadas acima por não buscarem informações que vão além daquelas compartilhadas pelos prestadores de serviço, como despachante e agente de carga.

Quer saber como aplicar os conceitos citados acima em seu projeto e embarque de importação? Desenvolva uma Análise de Viabilidade de Importação e descubra como reduzir custos em seus projetos e embarques de importação.

 

Questione, aja e conquiste.

 

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