Modais logísticos na importação

Embora o Comércio Internacional e a Logística possam ser percebidos como áreas diferentes, elas estão diretamente conectadas. Pessoas e empresas se conectam por meio dos meios de transporte, sendo movimentados de um lado ao outro do mundo. A complexidade das operações no comércio internacional torna essencial o conhecimento dos modais logísticos para garantir o melhor desempenho dos processos de exportação e importação em termos de custo, prazo e qualidade.

Em um ambiente globalizado, as cadeias logísticas competem com os produtos. Eles exigem a cooperação de fabricantes, distribuidores e operadores logísticos para alcançar a mais alta eficiência e o menor custo possível em cada produto, com a disponibilidade e flexibilidade necessárias.

O importador e exportador hoje tem à sua disposição vários modais logísticos. A escolha do tipo de transporte dependerá de vários fatores, como urgência, custo, quantidade do produto entre outros.

No Brasil, temos que ter um cuidado especial na escolha do modal, principalmente na importação, pois impostos na importação tem como base o frete internacional

 

Logística no comércio internacional

A definição do modal de transporte deve ser feito a partir do momento em que a empresa decide exportar ou importar um produto. Isso afeta tanto o design dos materiais de embalagem quanto os termos de entrega que serão acordados no contrato de venda, entre outras coisas.

Além dos custos específicos de qualquer operação logística, os principais elementos que devem ser considerados são:

  • Natureza e características da mercadoria.
  • Unidade de carga.
  • Modo de transporte.
  • Processo de transporte.
  • Legislação e regulamentos.
  • Logística no contrato internacional de venda.

Modais logísticos:


Marítimo FCL (container fechado)

  • Conceito: Embarque de mercadorias em contêiner fechado (exclusivo) com cargas de um único importador. O transporte principal é aquele realizado entre o porto de origem e porto de destino.
  • Carga: Embarques Marítimos Full Contêiner são configurados por mercadorias com baixo ou alto valor agregado e alto peso bruto e volume.
  • Transit Time: China aproximadamente 60 a 75 dias de Transit Time total (da produção no exportador à entrega no local do importador). Tempo de viagem entre portos de aproximadamente 30 a 40 dias.

Marítimo LCL (less than container load)

  • Conceito: Embarque de mercadorias em um contêiner compartilhado entre vários importadores. Ocorre quando a quantidade não é suficiente para fechar um contêiner exclusivo. O transporte principal é aquele realizado entre o porto de origem e porto de destino.
  • Carga: Embarques marítimos fracionados são configurados por mercadorias com baixo ou alto valor agregado e que não possuem volume que justifique embarques pelo modal aéreo ou Marítimo Full Contêiner.
  • Transit Time: China aproximadamente 75 a 90 dias de Transit Time total (da produção no exportador à entrega no local do importador). Tempo de viagem entre portos de aproximadamente 30 a 40 dias.

Aéreo

  • Conceito: Embarque de mercadorias através de aeronaves. O transporte principal é aquele realizado entre o aeroporto de origem e aeroporto de destino.
  • Carga: Embarques aéreos são configurados por mercadorias com alto valor agregado e baixo peso bruto e volume.
  • Transit Time: China aproximadamente de 2 a 3 dias de viagem internacional e 15 dias de Transit Time total (da produção no exportador à entrega no local do importador).

Rodoviário

  • Conceito: Embarque de mercadorias realizadas por transportadoras rodoviárias que possuem a permissão de fazer o transporte de mercadorias de terceiros países com o qual o Brasil possui fronteiras territoriais. O transporte principal é aquele realizado entre o local do exportador e o importador, ou entre local do importador e a aduana de destino das mercadorias (local de desembaraço das mercadorias no Brasil).
  • Carga: Embarques rodoviários são configurados por aqueles realizados entre países fronteiriços como Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. O tipo de carga poderá variar em valor, peso e volume.
  • Transit Time: Aproximadamente 2 a 3 dias de Transit Time total (do exportador ao importador).

 

Decisões de Transporte na Importação

Em processos de importação é essencial que haja discussões sobre as escolhas das melhores práticas de logística internacional, levando-se em consideração não só o custo, mas também a agilidade, segurança e flexibilidade nos processos.

As decisões de transporte em comércio internacional estão diretamente ligadas à localização do terceiro país, distância geográfica, infra-estrutura e grau de urgência do pedido.

Com exceção de países limítrofes, as opções encontradas em transporte internacional se resumem em transporte aéreo e marítimo. Na análise da melhor opção logística, haverá um trade off entre tempo e custo de frete e taxas que o compõem.

O transporte aéreo normalmente é utilizado em processos com produtos de alto valor agregado e pouco peso ou volume. Em troca de um tempo de trânsito maior, as empresas arcam com um custo de frete consideravelmente maior. Neste ponto vale lembrar que pela estrutura de tributação brasileira, o custo do frete influenciará diretamente no pagamento dos impostos na importação, pois estes têm como base o valor CIF/CIP (Mercadorias + Seguro Internacional + Frete Internacional).

As cargas movimentadas no modal marítimo normalmente são as de maior peso e volume. Apesar de haver um tempo de trânsito consideravelmente maior que no modal aéreo, os fretes praticados são consideravelmente menores.

As decisões de transporte não podem se basear somente na análise macro do custo de transporte. Outros custos não podem ser separados da análise de custo de transporte, tais como: taxas portuárias/aeroportuárias; seguro; armazenagem e transportes rodoviários secundários na origem e destino.

 

Princpais fatores para a escolha do modal

  • Urgência;
  • Tipo de carga;
  • Peso e volume da carga;
  • Segurança e agilidade;
  • Origem e destino (restrições logísticas);
  • Custo do frete e demais taxas.

 

Decisões de Estoque na Importação

As decisões de estoque baseiam-se no nível de estoque, frequência de pedido e tamanho dos lotes. Tais decisões permitem também determinar o equilíbrio entre modais de transporte mais rápidos e menores custos de estoque em trânsito ou modais de transporte mais lentos e maiores custos de mercadoria em trânsito.

As decisões que envolvem estoque estão diretamente relacionadas às questões estratégicas da empresa. Sendo assim, são de alto risco e alto impacto do ponto de vista logístico. Se por um lado, níveis baixos de estoque podem se traduzir em perda de vendas e declínio da satisfação dos clientes, por atrasos na produção, por outro lado altos níveis de estoque também geram problemas, como aumento de custos e redução da lucratividade, em função de maiores períodos de armazenagem, imobilização de capital de giro, deterioração, custos de seguro e obsolescência.

Uma análise logística deve encontrar o trade off ótimo entre o custo de armazenagem e distribuição. O uso de armazéns de terceiro trazem alguns benéficos como: conservação do capital; capacidade de aumento do espaço físico para atendimento de picos de produção; menor risco; economias de escala; flexibilidade; vantagens fiscais; seguro da carga; conhecimento dos custos de armazenagem e movimentação; e minimização de causas trabalhistas.

As decisões de estoque são motivadas pelos seguintes benefícios:

  • Possibilidades de economias de escala – Descontos para lotes de compras maiores e diluição de custos fixos;
  • Proteção para incertezas – Dificuldades de fornecimento; aumento de lead-times e variação cambial. Evita-se que problemas inesperados na produção ou em algum fornecedor interrompam as atividades sucessivas de atendimento da demanda;
  • Equilíbrio entre oferta e demanda – Respostas rápidas à variação da demanda;
  • Compras de oportunidade – Compra de lotes promocionais.

A partir da análise dos prós e contras de manter estoques e dos riscos e impactos envolvidos, deve-se optar por uma análise de custo total, buscando minimizar simultaneamente os custos de falta e excesso de estoque, sendo o maior desafio reduzir os estoques sem prejudicar o nível de serviço.

Questione, aja e conquiste.

 

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