Lote econômico: descobrindo a quantidade ideal para importar

Lote econômico: descobrindo a quantidade ideal para importar

Saber qual o lote econômico para importações é um dos pontos mais importantes para que se tenha o melhor aproveitamento de custos, tendo em mente investimento e benefícios. Neste post você vai conferir como estimar o seu.

Lote Econômico é a quantidade ideal para a importação. Alguns fatores devem ser analisados em sua busca, como investimento, demanda e prazos. Sua definição significa não só um preço competitivo e um investimento mais adequado para o importador, mas também seu planejamento de compras e estoque. Estar munido desta informação permitirá alcançar melhor seus objetivos.

 

Se você já faz parte do mundo das operações internacionais, ou seja, importações e exportações, seja do departamento de compras, ou da diretoria, muito provavelmente já se deparou com o dilema do investimento contra o volume de compras.

A regra é que haja uma flutuação no número de vendas ao longo do ano, e que a programação de compras se paute na necessidade, e sabemos, pecar pelo excesso costuma ser mais aceitável que pecar na escassez.

Claro que planejamento é chave para a solução desta e demais dificuldades, e em se tratando de lotes marítimos, estamos falando geralmente de pouco mais de dois meses, pelo menos, para que seu produto seja fabricado, embarcado e entregue na sua empresa.

Mas vamos supor que sua programação de compras anual já foi definida, por meio da inteligência e análise de informações da sua equipe de compras, estimativas que fazem algum jus à expectativa. Problema resolvido, certo? Agora é só entrar em contato com o exportador e trazer sua mercadoria com redução de custo, e partir para o abraço. Porém, os pedidos serão feitos em que periodicidade?

Neste post, vamos abordar o conceito de lote econômico e mostrar sua importância para um bom planejamento de compras. Ainda vamos dar exemplos práticos para uma completa inserção no tema. Vamos lá?

 

O que é lote piloto?

Lote Econômico é a quantidade ideal para um embarque de importação. Alguns fatores devem ser analisados em sua busca, como investimento, demanda e prazos. Sua definição significa não só um preço competitivo e um investimento desejável, mas também seu bom planejamento de compras e estoque.

O melhor lote, ou o lote econômico é encontrado quando, tendo-se em conta uma faixa de investimento desejada, define-se a quantidade ideal a ser importada, mirando o menor valor unitário final.

Assim, o lote piloto é nada mais do que uma comparação de cenários palpáveis de importação somadas de uma análise sobre qual desses cenários faz mais sentido, trazendo as melhores vantagens.

Portando, é necessário um grande cruzamento de informações de diversos departamentos: quantidade máxima estocada, valor de compra interno, investimento disponível, demanda anual e especificações técnicas são todos fatores determinantes e que apenas analisados em conjunto permitirão a melhor escolha.

 

Como descobrir o melhor lote?

A questão inicial deve ser: qual a melhor operação que me trará a maior redução de custo, considerando minhas pré condições de importação.

Veja um exemplo de pré condições onde utilizaremos parafusos como exemplo:

  • Demanda anual: O primeiro fator a ser analisado, é o da demanda do produto, boas negociações de valor da mercadoria são apenas possíveis com demandas significativas. Importação de pequenas quantidades, sobretudo de produtos com baixo valor agregado, em geral são projetos pouquíssimo rentáveis. Nossa demanda anual será de 8.000.000 unidades de parafuso.
  • Preço unitário do fornecedor: O valor negociado com o fornecedor é obviamente tão relevante quanto a cadeia logística, um bom EXW significa maior probabilidade de redução contra o valor interno. Vamos supor que nosso fornecedor tenha oferecido USD 0,005 como base de preço unitário.
  • Investimento: Nosso setor financeiro nos afirmou que consegue aportar no máximo uma transação de USD 20.000 a cada três meses, por conta da recente escalada do dólar contra o real.
  • Reserva em estoque atual: O controle de estoque passa pelo momento atual, afinal, a boa programação de estoque nada mais é do que a expectativa de entrada, somada a quantidade atual em estoque. Vamos supor que a equipe de compras regulou bem o estoque e que agora possui dois meses de reserva, ou em torno de 1.600.000 unidades.
  • Reserva máxima no estoque: Com planejamento e organização, o estoque pode armazenar para esses parafusos um espaço para até 2.500.000 unidades, mais do que isso geraria problemas na armazenagem de outros materiais.
  • Valor interno de compra: Vamos supor que o valor interno de compra para esse mesmo parafuso seja de R$ 6,21 a cada centena.

* Um importante ponto a ser notado aqui, sobretudo para peças de fixação que são importadas em grandes quantidades como parafusos e porcas, é que sua unidade de medida geralmente é o milheiro (1000 unidades) ou a centena. Um breve descuido na hora de fazer o comparativo pode levar a números bem distintos.

Ficaram claras as variáveis mais comuns?

De maneira geral elas vão servir como base para uma boa comparação. É evidente que diversos destes indicadores devem sofrer alteração durante a importação, que leva alguns meses, desde a produção até a entrega, como é o caso do valor interno de compra e a reserva em estoque. De toda forma, ainda que estes indicadores devam ser acompanhados durante a operação, a análise inicial para a sequência do projeto é feita neles.

Em geral, essa análise é bastante segura, justamente porque boa parte dos mercados, sobretudo de itens como parafusos, porcas e rolamentos, são de importados, portanto, um dólar mais alto na sua importação acarretará num dólar mais alto ao distribuidor importador, que repassará esse valor sem nenhum aviso prévio.

Tendo em mão estas variáveis conseguimos identificar pontos de delimitação e potenciais da estruturação da programação de embarques. Pois bem, quais os números de foco na definição? Basicamente o valor da mercadoria contra o mercado interno, ou seja, a redução de custos de substituir o mercado interno pela importação.

Todas as outras variáveis vão indicar limitações, um investimento muito alto, ou um estoque demasiado grande são limitadores porque mesmo que a redução seja maior numa das pontas, os custos de operações mal planejadas acima podem suplantar o ganho.

 

A análise:

Lembrando que os valores são fictícios e não devem ser aproveitados em projetos reais, apenas a curva de redução deve ser observada como fenômeno do que realmente ocorre nas importações. Colocando os valores em uma planilha, já considerando os tributos e uma estimativa logística conservadora, teríamos os seguintes valores:

 

 

Colocamos aqui um arredondamento das quantidades em algo como a demanda de 15 dias, 1 mês, dois meses, três meses, quatro meses e cinco meses.

Um importante adendo é que consideramos o valor unitário DDP como o valor das mercadorias com impostos, frete, consultoria e quaisquer tarifas adicionais já entregue na empresa. E a diferença, portanto, é o valor em reais salvos em cada operação. De cara os dois primeiros cenários não são interessantes, pois a redução trazida por eles não é significativa.

Em relação aos dois últimos cenários, o estoque da empresa não teria espaço para tamanhos lotes. O quarto cenário, de três meses chega bem próximo do nosso limite financeiro, porém a redução para o cenário anterior é de mais de 3%, totalizando aproximadamente 18,3% contra o mercado interno. Anualmente isso significaria uma redução de aproximadamente R$ 92.000,00.

Abaixo vemos um modelo da curva de redução, ou seja, qual a redução gerada na compra de mais um produto. A característica da curva vai nos ajudar a entender o porquê de um cenário trimestral ser o mais interessante:

 

 

Aqui temos as variáveis quantidade (em demanda por mês) e o valor unitário. A linha verde representa o valor unitário pela importação nas opções de quantidade mensal, e a linha vermelha é o valor do mercado interno. Logicamente, quanto mais abaixo a linha verde estiver da linha vermelha, melhor.

Percebemos então que o aumento do cenário de ½ mês para um mês, gera uma redução unitária de quase 80 centavos, enquanto do penúltimo para o último cenário, essa diferença cai para um centavo.

Notar essa proporção, levando em conta as variáveis limitadora (investimento, demanda e estoque) nos leva ao cenário econômico, que não é aquele que apresenta a menor redução, mas que apresenta o melhor custo x benefício, ou seja, uma quantidade praticável por embarque com uma margem de redução próxima da mais competitiva.

No caso do cenário trimestral do nosso exemplo, nem se quiséssemos poderíamos programar cenários maiores que trimestral por limitações físicas e financeiras, mas ainda se pudéssemos, cenários maiores não seriam interessantes, pois há um grande desembolso de capital somados a uma redução não tão significativa se comparada com os cenários imediatamente menores.

 

Frequência de embarques

Em um post anterior, falamos sobre as etapas de um embarque, é importante sua leitura para entender melhor sobre os prazos aos quais vamos nos referir, e quais processos estão incluídos neles.

O primeiro ponto para se considerar é o estoque vigente. Na nossa simulação acima, consideramos que o estoque ainda seria o suficiente para cobrir dois meses sem nenhuma compra adicional.

Vamos então supor que nosso fornecedor já está desenvolvido, já habilitamos o radar da nossa empresa compatível com essas importações, e o pedido de amostra já foi homologado, reduzindo os riscos da operação.

  • Lead time (período de produção): Como nosso pedido é trimestral, considerando uma quantidade razoável, nosso fornecedor nos indicou um lead time de 30 dias
  • Transit time (transporte internacional): Nossa importação será marítima, por conta das características da mercadoria, e o transit time do porto do nosso fornecedor até o porto de chegada aqui no Brasil será de 30 dias
  • Parametrização e Desembaraço: As operações mais burocráticas nos tomarão em torno de 10 dias.
  • Transporte interno: Consideraremos aqui mais três dia, numa estimativa conservadora.

Fazendo uma rápida soma, chegamos ao tempo do processo de importação dos nossos parafusos, em torno de 73 dias, por precaução e para facilitar nosso exemplo, vamos considerar 75 dias, ou dois meses e meio.

Então voltemos para nosso estoque, temos dois meses, que não serão suficientes até que a importação chegue, logo uma compra no mercado interno será necessária, de mais pelo menos um mês de demanda.

Após a chegada do primeiro lote de importações, a regulagem das importações deve ser feita. Como o período da importação é menor do que a demanda que suprem (2,5 meses contra 3 meses), deve haver um intervalo entre uma importação e outra de 15 dias, para que se mantenha sempre o estoque.

Em casos em que o período da importação é maior do que a demanda em quantidade de meses que irá suprir, um pedido deverá ser colocado antes que o outro pedido chegue.

E lembre-se, o processo de importação tem diversas fases, e alguns imprevistos podem ocorrer, portanto ter uma certa folga nos prazos permite uma operação segura e um estoque constante, sem a necessidade de compras desesperadas a preços altíssimos de compras pequenas.

 

 O melhor cenário então é…

Uma vez definida a curva de redução de custo, todas as análises consequentes serão muito simples, e a indicação do lote econômico e o melhor cenário serão evidentes. Mas como colocado, é preciso ter em mente as características do projeto e os fatores limitadores. Demanda, estoque e volume da mercadoria devem sempre ser observados e seu limite não pode ser ultrapassado.

Dessa maneira, cada projeto deve ser avaliado individualmente, mas um ponto é certo, essa abordagem ajudará e muito no objetivo maior de todos eles, que é a redução de custos, ajudando sua empresa a dar passos cada vez mais largos.

Agora que você já sabe calcular o lote econômico das suas importações, que tal dar uma olhada no nosso blog, e conferir mais posts relevantes como este.

 

Questione, aja e conquiste.

 

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